miércoles, 20 de febrero de 2008

BLACK MERDA

Por: GRAVETOS & BERLOTAS


Já não me lembro quem me indicou como, também, de onde baixei esse cd que compila os dois únicos álbuns dessa banda que de interessante não tem somente o nome.
O certo é que a Black Merda (o 'merda', segundo ouvi dizer, refere-se à pronúncia black dos ghettos de Detroit para murder, nada tendo, portanto, em comum com...bem, não vou entrar em detalhes), formada por Charles Hawkins (vocais/guitarras/violões/piano), Anthony Hawkins (guitarras/violões), VC L. Veasey (baixo/violões), Tyrone Hite (bateria-disco 1) e Bob Crowder (bateria-disco 2), é apontada como primeira banda de rock formada exclusivamente por negros. Antes disso, sem Charles e sob vários outros nomes, atuavam como suporte para vários astros da Motown e de outro grande selo ligado ao soul/funky, Brunswick.
A mudança, assim como para quase tudo que se fez em música a partir de então, ocorreu quando do surgimento de um negão gente fina que tocava uma guitarrinha meia-bomba, um tal de Jimi Hendrix. Conhecem? Não? Bem, eu já ouvi falar assim por alto. Certo dia, os caras pararam em frente a uma loja de discos que ostentava um cartaz com a capa de 'Are You Experienced?' e dando a entender tratar-se de uma banda de rock. Os negões pensaram: 'O quê? Um negão com cabelo black power e tudo tocando rock? É ruim, hein!?' Mesmo assim, juntaram os trocados que haviam destinado ao hot-dog e resolveram comprar o LP pois, pelo menos, poderiam acender um beck e teriam diversão garantida- 'Imagina! Negão tocando rock! Vai ser hilário!'. Na larica depois dariam um jeito. O resultado é que, durante dias, o LP não saiu da carrapeta. Estavam viciados. Cada detalhe da performance de Hendrix e banda era estudado em seus mínimos detalhes. A princípio, tinham idéia de se aterem à mesma formação de power-trio utilizado pelo Experience mas, é claro, logo concluiram que este era um formato para pouquíssmos privilegiados. E é neste instante que entra Charles 'Hawk' Hawkins pois, além de bom compositor, tinha um gogó muito próximo ao daquele gigante da Strato branca que tanto os impressionara. E assim nascia o Black Merda.
Ralaram por mais de 2 anos até que conseguissem lançar seu álbum homônimo, um misto de tudo que rolava no rock à época -do psych ao hard- com um intenso groove black e...muito, mas muito mesmo, Hendrix. Tudo ao mesmo tempo agora.
É óbvio que não venderam poooorra nenhuma mas insistiram e, após a troca no comando das baquetas (já repararam que bateristas são como técnicos de futebol? O time tá perdendo? Troca o técnico!), ainda fizeram mais uma tentativa com 'Long Burn The Fire'(72) e....continuaram não vendendo bulhufas.
A bem da verdade, se não fosse a grande rede, a Black Merda e várias outras bandas -já disse isso antes- estariam na...é, aí mesmo. E algumas, realmente, mereciam continuar por ali. Com o relançamento de sua curta obra em cd, houve uma redescoberta da banda como a oitava maravilha da indústria musical -tanto que os caras voltaram à ativa e estão fazendo shows à beça- mas não é nada disso. É apenas um som muito do bacana, delicioso de curtir, com letras engajadas do tipo powertotheblackpeople e que merecia, sim, ser lançado em formato digital. Nem que, simplesmente, pela curiosidade de ser a primeira banda de rock formada por negros.
Não se esqueçam de que há bem pouco tempo esse título pertencia ao magistral Living Colour, surgido apenas nos anos 80.

Black Merda